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"Três Estranhos Idênticos": Um Cruel Experimento Social Financiado pelo Governo Americano que Separou Gêmeos Idênticos no Nascimento!

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Por Marco Faustino

Sinceramente, não costumo escrever muito sobre experimentos envolvendo seres humanos. Porém, em abril do ano passado, por exemplo, me deparei com uma notícia onde mencionava, que psicólogos sociais da Universidade de Ciências Sociais e Humanas da Polônia (SWPS), uma das instituições de ensino superior mais importantes e respeitadas daquele país, reproduziram uma versão moderna de um experimento chamado "Milgram", e teriam se deparado com resultados semelhantes aos estudos realizados há mais de 50 anos. Para aqueles que não estão familiarizados com o "Experimento Milgram" (assim como eu mesmo não estava), ele testou a tolerância das pessoas ao aplicar supostos "choques elétricos" em uma outra pessoa (os choques não eram verdadeiros, mas a pessoa que aplicava os choques não sabia disso), quando incentivado por um "experimentador". Aliás, o mesmo experimento teria sido replicado por diversas vezes ao longo do tempo, em diversos países e culturas diferentes, e teria obtido "praticamente" os mesmos resultados. Além disso, esses experimentos demonstraram que, sob certas condições de pressão perante uma determinada autoridade, as pessoas permanecem dispostas a executar comandos mesmo quando elas têm ciência, que isso pode machucar ou até mesmo matar uma outra pessoa. Assim sendo, achei esse experimento bem interessante, fui atrás de maiores informações sobre como ele foi originalmente realizado, assim como sua repercussão, e a mais recente aplicação do mesmo na Polônia. Sem dúvida alguma, o material se tornou uma matéria essencial para o conhecimento de vocês (leia mais: O Polêmico "Experimento Milgram": Até que Ponto Você Seria Obediente e Teria Coragem de Machucar ou Matar uma Outra Pessoa?).

Agora, um premiado documentário, que foi exibido durante o Festival de Cinema de Sundance, realizado entre os dias 18 e 28 de janeiro deste ano, em Park City, a maior cidade-resort do estado norte-americano de Utah, me chamou a atenção para um cruel experimento social. Você teria coragem de separar três gêmeos idênticos ao nascer, negando o conforto e o amor de seus pais, os fazendo crescer em regiões diferentes e em classes sociais distintas, no Estado de Nova York, apenas para saber como ambiente poderia influenciar o comportamento deles? Isso já aconteceu e foi retratado no documentário "Three Identical Strangers" ("Três Estranhos Idênticos", em português), sendo que o caso envolveu uma conhecida e poderosa instituição de caridade e um psicólogo, que morreu há cerca de 10 anos, mas que, até o fim de sua vida disse que o experimento era algo importante a ser feito. Esse caso repercutiu em diversos sites de curiosidades no Brasil e diversos outros de entretenimento ao redor do mundo que, para variar, não contaram muitos detalhes dessa história para vocês. Vamos saber mais sobre esse assunto?

A Polêmica Reacendida Pelo Documentário "Três Estranhos Idênticos": A Recente Cobertura do Jornal "The Washington Post" que Serviu de Base para Inúmeras "Matérias" Sobre o Esse Estranho Experimento Social


Irei começar a destrinchar esse assunto pelo artigo, que foi publicado por Steven Zeitchik, um repórter que se autointitula como redator de entretenimento empresarial do jornal "The Washington Post". Ler esse artigo é importante, porque ele foi a principal base de inúmeros textos, que foram publicados sobre esse assunto (o que não quer dizer que foi realmente útil). Uma outra base amplamente usada foi uma espécie de trailer bem curto (com cerca de dois minutos), que foi divulgado pela produtora do documentário.

Inicialmente, o artigo dizia que um documentário exibido recentemente no Festival de Cinema de Sundance, colocou em xeque uma proeminente instituição de caridade da Costa Leste dos Estados Unidos, colocando o grupo na defensiva após alegações sobre experimentos secretos envolvendo seres humanos. O documentário "Three Identical Strangers" ("Três Estranhos Idênticos", em português) menciona, que o Conselho Judaico de Serviços Familiares e Infantis, com sede na cidade de Nova York, não se desculpou, e nem mesmo ofereceu quaisquer indenizações após um estudo que, além de separar três irmãos idênticos, teria realizado pesquisas secretas sobre a vida dos mesmos, nas décadas de 1960 e 1970. Atualmente, apenas dois irmãos estão vivos, e eles aparecem no documentário exigindo a liberação de todos os registros envolvendo o estudo, um pedido de desculpas, até mesmo uma compensação financeira por todos os danos causados em suas vidas.

Inicialmente, o artigo dizia que um documentário exibido recentemente no Festival de Cinema de Sundance, colocou em xeque uma proeminente instituição de caridade da Costa Leste dos Estados Unidos, colocando o grupo na defensiva após alegações sobre experimentos secretos envolvendo seres humanos
O documentário "Three Identical Strangers" ("Três Estranhos Idênticos", em português) menciona, que o Conselho Judaico de Serviços Familiares e Infantis, com sede na cidade de Nova York, não se desculpou, e nem mesmo ofereceu quaisquer indenizações após um estudo que, além de separar três irmãos idênticos, teria realizado pesquisas secretas sobre a vida dos mesmos, nas décadas de 1960 e 1970.
"Isso foi cruel, foi errado", disse David Kellman, um dos trigêmeos, que foi separado durante o nascimento dos seus irmãos Bobby Shafran e Eddie Galland, ao jornal "The Washington Post", durante o Festival de Sundance.

"Acredito que a primeira coisa, que o Conselho Judaico deveria ter feito ao tomar conhecimento do documentário, era reunir todos os gêmeos que estivessem vivos, e informar sobre todos aqueles que já tivessem morrido, simplesmente para que eles soubessem quem eles são. O Conselho Judaico, no entanto, nunca admitiu o que eles fizeram. Nunca disseram 'nos desculpem', e muito menos ofereceu qualquer tipo de indenização", disse Bobby Shafran, que estava sentado ao lado do seu irmão gêmeo.

Os irmãos Robert "Bobby" Shafran (à esquerda) e David Kellman (à direita)
Apesar do festival ter exibido uma série de filmes e documentários impressionantes, o que teve o maior impacto nos principais sites de notícias ao redor do mundo foi justamente o documentário chamado "Três Estranhos Idênticos", do diretor britânico Timothy Wardle, que no dia 27 de janeiro (um sábado, e véspera do encerramento do festival) ganhou o Prêmio Especial do Júri por Narrativa. O documentário conta a história dos trigêmeos, nascidos em Nova York, em 1961, que foram colocados sob os cuidados de três famílias locais diferentes, pela extinta agência de adoção "Louise Wise", como parte de um estudo do Centro de Desenvolvimento da Criança que, posteriormente, iria ser incorporado ao Conselho Judaico.

Os rapazes nunca se conheceram, ou seja, não sabiam da existência uns dos outros, até completarem 19 anos, quando uma coincidência, que ocorreu na Faculdade do Condado Rural de Sullivan reuniu dois deles, Eddie Galland e Bobby Shafran. Pouco tempo depois, David Kellman se juntou aos mesmos, quando ele e sua mãe adotiva viram a repercussão do assunto na mídia, e perceberam que ambos eram seus irmãos gêmeos.

Apesar do festival ter exibido uma série de filmes e documentários impressionantes, o que teve o maior impacto nos principais sites de notícias ao redor do mundo foi justamente o documentário chamado "Três Estranhos Idênticos", do diretor britânico Timothy Wardle (ao centro), que no dia 27 de janeiro (um sábado, e véspera do encerramento do festival) ganhou o Prêmio Especial do Júri por Narrativa.
"Foi o primeiro de muitos dias na Zona de Crespúsculo. Sei que muitas pessoas se sentem diferentes e estranhas. Porém, para mim, foi como se eu tivesse perdido alguma coisa durante toda a minha vida. E, quando finalmente cheguei na faculdade naquele dia, foi como se tivesse recebido o manual de instruções", disse David Kellman.

Os três acabaram aparecendo em diversos programas televisivos nos Estados Unidos, entre eles o "The Phil Donahue Show", e até mesmo no filme "Desperately Seeking Susan" ("Procura-se Susan Desesperadamente", título em português), de 1985, onde a cantora Madonna contracenava com a atriz Rosanna Arquett. Os trigêmeos até mesmo chegaram a abrir um restaurante com um nome bem sugestivo: "Trigêmeos".

Entretanto, aquilo que poderia ter sido uma história de abandono familiar, um eventual erro na maternidade, qualquer outro desfecho de caráter culposo ou até mesmo algo deliberado da agência de adoção, para que mais famílias pudessem realizar o sonho de ter um filho (sendo que essa última opção foi exatamente o que foi alegado pelos representantes da agência Louise Wise, aos pais dos meninos, quando os mesmos finalmente se encontraram), se mostrou ser algo horripilante.

Os três acabaram aparecendo em diversos programas televisivos nos Estados Unidos,
entre eles o "The Phil Donahue Show"...
...e até mesmo no filme "Desperately Seeking Susan" ("Procura-se Susan Desesperadamente", título em português), de 1985, onde a cantora Madonna contracenava com a atriz Rosanna Arquett. Os trigêmeos até mesmo chegaram a abrir um restaurante com um nome bem sugestivo: "Trigêmeos".
Os meninos faziam parte de um estudo secreto conduzido pelo psicanalista austríaco Peter Neubauer, que dirigia o Centro de Desenvolvimento da Criança de Manhattan, em Nova York. Como parte da pesquisa de Neubauer, os trigêmeos, juntamente com cerca de uma dúzia de conjuntos de irmãos idênticos (gêmeos, trigêmeos etc.), foram separados e colocados em famílias de diferentes origens socioeconômicas. Então, eles foram criados separadamente para que a equipe de Neubauer pudesse estudar os efeitos da "Natureza vs Criação". Ninguém disse aos pais adotivos, que seus filhos tinham irmãos idênticos.

Nos anos seguintes, pesquisadores foram enviados regularmente para as casas de crianças adotadas para a realização de testes, que eram reportados diretamente ao psicanalista. Eles nunca revelaram aos pais, o verdadeiro propósito de suas visitas ou que o irmão idêntico de seus filhos vivia a poucos quilômetros de distância. Quando adultos, ao descobrirem o que havia acontecido com eles, os irmãos entraram em estado de choque. Bobby Shafran comparou o ocorrido com os experimentos sociais nazistas. Segundo os irmãos, a separação, a longo prazo, foi potencialmente profunda. Eddie Galland tirou a própria vida na década de 1990, uma possível vítima de uma doença mental hereditária, que os outros dois irmãos alegam, que foi escondida deles. Embora muitas pessoas que trabalhavam naquela época, na agência Louise Wise, já tenham morrido, Shafran e Kellman alegam, que não houve esforços suficientes da administração atual do Conselho Judaico para assumir a responsabilidade pelo envolvimento histórico da organização com o estudo.

Os meninos faziam parte de um estudo secreto conduzido pelo psicanalista austríaco Peter Neubauer (na foto), que dirigia o Centro de Desenvolvimento da Criança de Manhattan, em Nova York.
Embora muitas pessoas que trabalhavam naquela época, na agência Louise Wise, já tenham morrido, Shafran e Kellman alegam, que não houve esforços suficientes da administração atual do Conselho Judaico para assumir a responsabilidade pelo envolvimento histórico da organização com o estudo. Na foto acima podemos ver Justine Wise Polier, filha da fundadora da agência (ao fundo), presidindo uma reunião no interior da própria agência Louise Wise.
O Conselho Judaico de Serviços Familiares e Infantis, com sede na cidade de Nova York, nos Estados Unidos.
"Não é algo que aconteceu há muito tempo atrás, isso aconteceu em tempos modernos", disse David Kellman.

"E essa não é uma questão, como se não tivéssemos bons pais. Tivemos ótimos pais. Porém, eles não podem brincar de Deus, e foi isso que fizeram. E, por isso, eles precisam fazer alguma coisa", disse Bobby Shafran, ressaltando sua esperança de um pedido de desculpas, e uma compensação financeira.

O Conselho Judaico de Serviços Familiares e Infantis, comumente conhecido como Conselho Judaico, emprega mais de 3.000 pessoas, e presta serviços em áreas como saúde mental, desenvolvimento da primeira infantil (período que compreende o nascimento e os primeiros seis anos de vida da criança), e violência doméstica. A organização sem fins lucrativos (ou seja, uma ONG) tem quase 150 anos e, até 2014, tinha um orçamento superior a US$ 200 milhões (cerca de R$ 620 milhões pela cotação atual). A agência Louise Wise cessou suas atividades em 2004, e seus registros foram transferidos para um centro de adoção em Nova York conhecido como Spence-Chapin. Porém, o estudo de Neubauer, que vem mantido por muito tempo na Universidade de Yale, não foi divulgado, mesmo diante de inúmeros pedidos dos gêmeos ao longo dos anos.

A agência Louise Wise cessou suas atividades em 2004, e seus registros foram transferidos para um centro de adoção em Nova York conhecido como Spence-Chapin. Porém, o estudo de Neubauer, que vem mantido por muito tempo na Universidade de Yale, não foi divulgado, mesmo diante de inúmeros pedidos dos gêmeos ao longo dos anos.
Após a realização do documentário, o diretor Timothy Wardle disse, que algumas das milhares de páginas do estudo foram tornadas públicas, mas elas estariam em "estado bruto", e teriam sido intensamente editadas. Embora Kellman e Shafran digam, que a liberação do estudo completo não irá desfazer a dor de crescer separadamente - um em uma casa de "classe trabalhadora", e outro em uma casa de "classe média alta", respectivamente - pelo menos o mesmo revelaria o propósito de tudo isso. Vale ressaltar nesse ponto, que o psicanalista austríaco Peter Neubauer morreu em 2008.

"Isso nos ajudaria a saber as informações que saíram disso. Ajudaria se soubéssemos, se o estudo produziu algo de bom", disse David Kellman.

Embora Kellman e Shafran digam, que a liberação do estudo completo não irá desfazer a dor de crescer separadamente - um em uma casa de "classe trabalhadora", e outro em uma casa de "classe média alta", respectivamente - pelo menos o mesmo revelaria o propósito de tudo isso. Vale ressaltar nesse ponto, que o psicanalista austríaco Peter Neubauer morreu em 2008.
O Conselho Judaico não participou do documentário. O motivo? Bem, de acordo com uma pessoa familiarizada com os planos do grupo, e que não estava autorizada a falar publicamente em nome dos mesmos, o Conselho Judaico termia, que as citações feitas durante a entrevista fossem tiradas fora de contexto. Ao serem questionados pelo jornal "The Washington Post", uma porta-voz do Conselho Judaico enviou um comunicado de imprensa:

"O Conselho Judaico não endossa o estudo realizado pelo Dr. Peter Neubauer, e aprecia que o filme tenha criado uma oportunidade para um debate público sobre isso. Por muitos anos, o Conselho Judaico tem estado e continuará empenhado em fornecer aos indivíduos identificados como parte do estudo o acesso aos seus registros de forma oportuna e transparente. Até a presente data, fornecemos registros a todos os indivíduos, que foram objetos do estudo, e que nos procuraram. Devido às leis de confidencialidade, assim como o reconhecimento do enorme impacto humano deste estudo, o acesso aos registros foi extremamente restrito para esses indivíduos. Esperamos que o documentário incentive outros a se apresentarem, e solicitarem o acesso aos seus registros. O Conselho Judaico não teve nenhum papel na separação dos gêmeos adotados através da Louise Wise", disse o comunicado.

Outras pessoas afetadas pelo estudo também foram citadas no documentário. Paula Bernstein e Elyse Schein, por exemplo, gêmeas idênticas criadas separadamente, também foram participantes involuntárias do estudo de Neubauer, e descobriram a existência uma da outra somente quando adultas. As duas acabaram escrevendo um livro juntas. O aclamado jornalista Lawrence Wright incluiu um material sobre os incidentes em seu livro chamado "Twins", de 1997.

Outras pessoas afetadas pelo estudo também foram citadas no documentário. Paula Bernstein e Elyse Schein (na foto), por exemplo, gêmeas idênticas criadas separadamente, também foram participantes involuntárias do estudo de Neubauer, e descobriram a existência uma da outra somente quando adultas
Não foi fácil realizar o documentário. Timothy Wardle disse que diversas emissoras de TV, acostumadas a realizar documentários, tentaram fazer algo do gênero no passado. Porém, de acordo com Timothy Wardle, nada avançou devido a pressão legal. O documentário "Três Estranhos Idênticos", que foi parcialmente financiado pela CNN, será exibido pela emissora norte-americana ainda este ano. Infelizmente, não existe nenhuma cópia disponível publicamente, nem mesmo através de canais de terceiros no YouTube (todos apontam para endereços virtuais maliciosos). De qualquer forma, os cineastas e os indivíduos envolvidos no estudo esperam, que a repercussão devido ao documentário faça com que o Conselho Judaico tente curar a imensa cicatriz deixada pelo mesmo.

"Eles não podem nos devolver a nossa infância, mas eles podem encontrar maneiras de nos mostrar, que eles estão arrependidos", disse Kellman.

Enfim, esse foi basicamente o texto publicado pelo "The Washington Post", salvo alguns detalhes que acrescentei para que vocês não ficassem meio perdidos durante a leitura. Porém, a pessoa que lê esse texto sai com a nítida impressão que o Dr. Peter Neubauer era um completo monstro, não é mesmo? Através do texto acima podemos notar, que estaríamos diante de um cruel experimento social de um psicanalista sem escrúpulos, sendo que os gêmeos Bobby Shafran e David Kellman compararam o mesmo aos experimentos nazistas, muito provavelmente em referência aos experimentos realizados por Josef Mengele, um oficial alemão da Schutzstaffel (SS) e médico no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Contudo, se tem uma coisa, que aprendi em todos esses anos escrevendo é que, quanto mais se cava, mais se encontra informação, e nem sempre é aquela que esperamos encontrar.

Através do texto acima podemos notar, que estaríamos diante de um cruel experimento social de um psicanalista sem escrúpulos, sendo que os gêmeos Bobby Shafran e David Kellman compararam o mesmo aos experimentos nazistas, muito provavelmente em referência aos experimentos realizados por Josef Mengele (na foto), um oficial alemão da Schutzstaffel (SS) e médico no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial
Assim sendo, uma vez que o texto publicado pelo "The Washington Post" citou, que o documentário havia sido parcialmente financiado pela emissora norte-americana CNN, e sabendo que muitos consideram, que essa emissora teria um "viés político esquerdista", ou seja, que seria uma suposta "inimiga direta do povo judeu" resolvi me aprofundar nesse caso. Apesar do jornal "The Washington Post" não comentar, o documentário também foi parcialmente financiado pelo "Canal 4", a quarta maior emissora de TV no Reino Unido, de propriedade estatal (muito embora não receba recursos públicos), e que muitos dizem que teria um "viés político conservador". Aliás, pela necessidade de apresentar um conteúdo diversificado, essa emissora é muito famosa por financiar documentários de interesse público (a produtora responsável pelo documentário é a RAW TV).

Enfim, a seguir vamos conhecer o que foi publicado recentemente pela imprensa britânica sobre esse assunto, uma vez que o "Canal 4" também exibirá esse documentário em algum momento neste ano, e fazer uma pequena viagem no tempo para saber o que foi divulgado no passado.

A Divulgação Por Parte da Mídia Britânica e uma Viagem no Tempo: Se Aprofundando na Estranha História dos "Três Estranhos Idênticos"


O britânico "The Independent", por exemplo, fez uma espécie de resumão sobre o caso, que até vale a pena comentar, caso alguém não tenha entendido a situação até o presente momento. A jornalista Sabrina Barr, que provavelmente teve acesso ao documentário inteiro, escreveu que Bobby Shafran, em seu primeiro dia de aula na Faculdade Comunitária do Condado de Sullivan, em 1980, ficou surpreso com a recepção esmagadoramente positiva, que recebeu de seus colegas. Ele foi recebido com abraços e beijos de diversos estudantes universitários, apesar de nunca ter conhecido nenhum deles anteriormente.

Um estudante, um jovem chamado Michael Domnitz, frequentou a faculdade no ano anterior com seu amigo Eddie Galland. Michael Domnitz sabia que o amigo não voltaria naquele ano, ao menos não para aquela faculdade. No entanto, todos na faculdade estavam saudando o novo aluno como se fosse o Eddie Galland, ou seja, como se ele tivesse voltado. Então, Domnitz foi até o quarto do novo aluno para investigar o que estava acontecendo, e ficou espantado com o que ele descobriu.

"Assim que esse cara se virou, eu fiquei tremendo. A cor do meu rosto simplesmente foi embora, porque eu sabia que ele era a cópia idêntica do Galland", disse Michael Domnitz, no documentário. Aliás, confira abaixo o trailer, que foi divulgado, em um canal do Sundance Institute, no YouTube (em inglês):



Ele imediatamente perguntou ao Bobby Shafran, se ele tinha sido adotado, e se ele tinha nascido em 12 de julho de 1961. Quando Shafran respondeu que sim, para ambas as perguntas, Domnitz disse suspeitar, que Bobby tinha um irmão gêmeo. A história de Bobby Shafran e Eddie Galland recebeu muita atenção por parte da imprensa, quando eles se conheceram, e isso acabou fazendo com que encontrassem o terceiro irmão: David Kellman. Conforme já sabemos, foi através das notícias divulgadas na mídia, que David acabou percebendo que, muito provavelmente, seria o irmão de Bobby e Eddie.

Posteriormente, foi descoberto, que os trigêmeos foram colocados em casas de diferentes classes socioeconômicas, e foram avaliados por pesquisadores ao longo de suas infâncias, sem que nenhuma das famílias estivessem cientes de que seus filhos adotivos tinham irmãos idênticos. Eddie Galland, no entanto, tirou a própria vida, aos 33 anos (O "The Independent" não citou a razão pela qual Eddie tomou essa atitude). Com o tempo, eles também descobriram que não eram os únicos, e outras famílias teriam sido afetadas pelo estudo do psicanalista austríaco, o Dr. Peter Neubauer. Basicamente isso.

Posteriormente, foi descoberto, que os trigêmeos foram colocados em casas de diferentes classes socioeconômicas, e foram avaliados por pesquisadores ao longo de suas infâncias, sem que nenhuma das famílias estivessem cientes de que seus filhos adotivos tinham irmãos idênticos. Eddie Galland, no entanto, tirou a própria vida, aos 33 anos.
Os tabloides britânicos "Daily Mail", "The Sun", e "Daily Mirror" publicaram "praticamente" o mesmo texto e, dessa vez, fizeram uma razoável lição de casa. Apesar do material apresentar algumas informações incorretas, o mesmo foi baseado em três interessantes textos, veiculados nas décadas de 1980 (um texto divulgado pela agência de notícias United Press International, em 26 de setembro de 1980, e outro na Revista People, em 13 de outubro de 1980) e 1990 (um artigo publicado no jornal "Los Angeles Times" em 27 de outubro de 1997), nos Estados Unidos, e que qualquer pessoa veria ao fazer uma rápida pesquisa no Google. Então, resolvi trazer todas essas informações, o mais correto possível, é claro, de uma vez só para vocês.

Quando Bobby Shafran e Eddie Galland se conheceram, eles descobriram que riam e falavam de forma bem parecida. Suas marcas de nascença eram idênticas, o Q.I. de ambos era o mesmo, 148 (sendo que pessoas com um índice superior a 140 são consideradas como "gênios"), e eles até alegaram que perderam a virgindade na mesma idade, aos 12 anos. Os registros hospitalares confirmaram o que todos podiam ver. Os adolescentes eram gêmeos idênticos. Aliás, Bobby só não encontrou com Eddie, na Faculdade Comunitária do Condado de Sullivan, em 1980, porque o Eddie havia pedido transferência para a Faculdade Comunitária de Nassau, em Long Island. Já imaginaram se ambos se esbarrassem e se olhassem, um no rosto do outro, em plena universidade?

Aliás, Bobby só não encontrou com Eddie, na Faculdade Comunitária do Condado de Sullivan (atualmente, na foto), em 1980, porque o Eddie havia pedido transferência para a Faculdade Comunitária de Nassau, em Long Island. Já imaginaram se ambos se esbarrassem e se olhassem, um no rosto do outro, em plena universidade?
Na época, David Kellman era calouro na Faculdade do Queens. Ele viu o rosto dos irmãos gêmeos no jornal, e ligou para a casa da família de Eddie Galland. Os dois irmãos gêmeos acabaram se transformando em trigêmeos. Bobby, David e Eddie, que nasceram exatamente nessa mesma ordem, com cerca de 27 minutos de diferença um do outro. Eles foram separados assim que nasceram. Porém, o que poucos sabem, é que eles seriam quadrigêmeos, caso o último irmão tivesse sobrevivido durante o parto (ao menos essa foi a informação divulgada pela agência de adoção Loiuse Wise), ou seja, o quarto bebê acabou morrendo. Aliás, todos nasceram no mesmo dia, e no mesmo hospital, o Hospital Judaico de Long Island (Long Island Jewish Medical Center).

Quando o trio finalmente se encontrou, eles descobriram que fumavam a mesma marca de cigarro (muitos cigarros da marca Marlboro), adoravam comida italiana (sendo que a UPI citou que eles gostavam de comida chinesa, embora tivessem nascido em casas judaicas), e tinham atração por mulheres mais velhas. Também foi divulgado, que ambos seriam praticantes de wrestling na faculdade, e tinham as mesmas técnicas de luta. Eles gostavam dos mesmos filmes, e das mesmas citações dos filmes. Na época, Richard, o pai adotivo de David, chegou a declarar que era necessário alguns minutos para perceber quem era quem no telefone. Claire, a mãe adotiva, ainda brincou ao dizer, que havia uma vantagem em criar os rapazes separadamente, visto que um já seria bem difícil para se lidar.

Aliás, todos nasceram no mesmo dia, e no mesmo hospital,
o Hospital Judaico de Long Island (Long Island Jewish Medical Center).
Depois de se tornarem trigêmeos da noite para o dia, eles também se tornaram celebridades. As aparições públicas foram orquestradas pelo advogado Jack Solomon. Atuando como agente dos rapazes, Solomon tentou manter as entrevistas bem limitadas, restritas e otimistas, elevando a moral dos trigêmeos, por assim dizer. Porém, rapidamente a imprensa informou um detalhe sombrio do passado de Bobby Shafran: seu envolvimento no assassinato brutal de uma senhora de 83 anos de idade.

Bobby Shafran Seria um Assassino? O Estranho Julgamento de um Crime Brutal


Na época, o texto publicado pela agência de notícias UPI (United Press International) informava, que Bobby estava em liberdade condicional, e que havia se declarado culpado das acusações de ter envolvimento no assassinato de Elodie Henschel, uma senhora de83 anos, sendo que o crime ocorreu em janeiro de 1978, ou seja, pouco mais de dois anos antes dos trigêmeos se conhecerem. Aliás, o crime aconteceu no apartamento dela, na Estrada Robins, na cidade New Rochelle, no Estado de Nova York. Bobby testemunhou no julgamento do seu cúmplice, Morgan Goodman, dizendo que Goodman tinha matado a senhora para poder pegar dois anéis de diamante, que posteriormente ambos chegaram a penhorar. Morgan Goodman acabou sendo absolvido devido a "questões legais resultantes das instruções do juiz", John Walsh, ao júri. Esse mesmo juiz sentenciou Bobby Shafran a cumprir uma pena de cinco anos, em liberdade condicional, desde que ele passasse os fins de semana trabalhando em uma escola para crianças com deficiência mental e motora. A família da senhora Elodie Henschel teria concordado com a sentença.

Segundo a Revista People, Bobby havia sido condenado por homicídio culposo, em um caso onde uma senhora foi espancada até a morte, em seu próprio apartamento, com o uso de uma chave de roda, cujo objetivo já sabemos: roubar dois anéis de diamante que ela estava usando. Ainda segundo a People, o juiz do caso, John Walsh, disse que Bobby teve uma "participação mínima" no crime, mas, aparentemente, ninguém ficou preso atrás das grades pelo crime, incluindo o suposto assassino. Sabe aquelas situações, que não fazem o menor sentido, nem mesmo perante o Judiciário dos Estados Unidos? Confesso a vocês que fiquei curioso pelo fato de Bobby ter sido condenado, mas Morgan não, e resolvi pesquisar rapidamente sobre o caso.

Na época, o texto publicado pela agência de notícias UPI (United Press International) informava, que Bobby estava em liberdade condicional, e que havia se declarado culpado das acusações de ter envolvimento no assassinato de Elodie Henschel, uma senhora de83 anos, sendo que o crime ocorreu em janeiro de 1978, ou seja, pouco mais de dois anos antes dos trigêmeos se conhecerem
Assim sendo, encontrei um artigo do jornal "The Herald Statesman", de 26 de setembro de 1979. No texto era informado, que Bobby Shafran havia sido formalmente acusado de entrar ilegalmente no apartamento de Elodie com intuito de subtrair seus bens, pelo roubo dos anéis, e por assassinato. Aliás, no total, Bobby seria julgado por oito acusações. Bobby e Morgan, ambos com 18 anos, tinham sido acusados de roubar e espancar Elodie até a morte, após invadir sua residência em 23 de janeiro de 1978. O juiz John Walsh desconsiderou as acusações contra Morgan, ao alegar que a evidência apresentada no ano anterior (1978), ao grande júri, era inteiramente circunstancial, e não "excluía uma certeza moral da possibilidade do adolescente ser inocente".

O juiz John Walsh, no entanto, abriu a possibilidade do promotor distrital tentar indiciar Morgan ao apresentar novas evidências ao grande júri, algo que aparentemente não aconteceu. Morgan Goodman acabou sendo solto mediante o pagamento de US$ 50.000 de fiança (equivalente a US$ 200.000 atualmente), enquanto Bobby continuou na Prisão do Condado de Westchester, aguardando o julgamento.
Assim sendo, encontrei um artigo do jornal "The Herald Statesman", de 26 de setembro de 1979. No texto era informado, que Bobby Shafran havia sido formalmente acusado de entrar ilegalmente no apartamento de Elodie com intuito de subtrair seus bens, pelo roubo dos anéis, e por assassinato. Aliás, no total, Bobby seria julgado por oito acusações
Ao acessar um dos documentos relacionados ao caso, a história ficou ainda mais estranha. Aparentemente, a defesa de Morgan Goodman tentou apelar sucessivas vezes em relação a única condenação que ele teve nessa a história: a de furto dos valiosos anéis de Elodie, sem intenção de uso transitório, dado o intuito definitivo, em segundo grau (grand larceny in the second degree). Não encontrei nenhuma informação se Morgan chegou a ser preso algum dia, mas aparentemente não. Ainda em relação ao documentado acessado, aparentemente Morgan conhecia bem a região, e o prédio onde Elodie morava, porque sua namorada morava no mesmo prédio. Aliás, Morgan foi visitar a namorada, no dia seguinte (24), quando a polícia chegou para investigar o crime. Enquanto a polícia estava preservando a cena do crime, ele disse de forma voluntária, que tinha visto três suspeitos do sexo masculino nos fundos do prédio, no dia anterior.

Segundo o documento, Morgan e Bobby tinham discutido sobre o roubo dos dois anéis de diamante de Elodie, cerca de três dias antes, no dia 20 de janeiro de 1978. Morgan teria dito ao Bobby, que mataria a senhora caso assim fosse necessário. Então, no dia 23 de janeiro, Bobby teria chamado um jovem chamado Robert Carpenter (um estudante que tinha acesso ao carro dos pais), e com Robert Benedict (mais um estudante, que estaria simplesmente a passeio), para que todos fossem de carro até o prédio onde Elodie, assim como a namorada de Morgan, moravam. Carpenter teria estacionado o carro a um quarteirão de distância, sendo que Morgan saiu do carro e avisou que voltaria em questão de 20 minutos. Ao retornar, Morgan parecia nervoso, estava pálido, e havia algo semelhante a sangue em suas roupas e mãos, sendo que Benedict notou que ele estava carregando algo parecido com um "cano" debaixo do casaco. Teria sido nesse momento, que ele mostrou os dois anéis de diamante que aparentavam estar cobertos de sangue.

Foto do centro da cidade de New Rochelle, no estado norte-americano de Nova York
Imagem recente da rua, onde a senhora Elodie Henschel foi brutalmente assassinada em 1978.
Os quatro foram para a casa de Morgan, sendo que o mesmo disse ao Bobby que havia matado a senhora. Então, Morgan teria começado a lavar suas mãos, roupas e uma chave de roda, instrumento com o qual teria golpeado a senhora. Posteriormente, Morgan queimou suas roupas. Tanto Morgan quanto Bobby concordaram em manter o mesmo álibi. No dia seguinte, apesar de inicialmente recusar, Carpenter teria levado ambos até a Estação Ferroviária de White Plains, por cerca de US$ 50, sendo que Carpenter viu os anéis durante esse translado. Morgan e Bobby foram até Nova York, onde penhoraram os anéis por cerca de US$ 2.000, e retornaram para o Condado de Westchester.

A maior parte da evidência que ligava Morgan ao crime veio de Bobby Shafran, que anteriormente havia se declarado culpado de homicídio culposo em primeiro grau, sendo que Carpenter e Benedict receberam imunidade, e apenas testemunharam o que fizeram e viram durante esses eventos dos dias 23 e 24 de janeiro. Sinceramente, esse é um dos casos mais estranhos com que já me deparei até hoje. Bobby aceitou ser condenado por homicídio culposo, e Morgan acabou sendo absolvido dos crimes considerados mais graves. Enfim, somente uma análise mais aprofundada do processo, que seria inviável analisar nesta matéria, poderia realmente elucidar uma série de questões sobre o mesmo. Contudo, é possível ter uma boa noção, que uma série de questões legais acabaram fazendo com que a morte brutal da senhora Elodie Henschel terminasse praticamente em impunidade. Como curiosidade, um outro detalhe que poucos mencionam é que Elodie Henschel era judia, assim como Bobby Shafran, sua família adotiva, muito possivelmente seus pais biológicos etc.

Voltando ao assunto principal desta matéria, após esse "pequeno desvio", Bobby Shafran alegou que entrou para a Faculdade Comunitária do Condado de Sullivan, porque queria começar uma vida nova. Aliás, os trigêmeos não sabiam quem eram seus pais biológicos, e disseram que não estavam interessados em saber quem eles eram. Foi mencionado, que todos gostavam uns dos outros, e também gostavam das famílias adotivas uns dos outros. Eles disseram, que não havia ressentimento por parte de seus pais adotivos, e que todos se davam bem. Posteriormente, eles se transferiram para a mesma faculdade, onde estudaram Marketing Internacional, e dividiram um apartamento em Nova York. Após trabalharem como garçons em um restaurante, eles abriram um negócio próprio na cidade, um restaurante chamado "Triplets Roumanian Steak House", com a ajuda da família adotiva de David.

Posteriormente, eles se transferiram para a mesma faculdade, onde estudaram Marketing Internacional, e dividiram um apartamento em Nova York. Após trabalharem como garçons em um restaurante, eles abriram um negócio próprio na cidade, um restaurante chamado "Triplets Roumanian Steak House", com a ajuda da família adotiva de David.
Foto dos trigêmeos juntamente com seus funcionários do antigo restaurante "Triplets Roumanian Steak House"
O restaurante dos trigêmeos teve um primeiro ano extremamente bem-sucedido, e as personalidades individuais e tempestuosas dos trigêmeos acabaram sendo abafadas em nome de um único propósito, que envolvia atrair clientes através da música e do entretenimento, afinal de contas, eles eram vistos como celebridades, justamente em uma cidade como Nova York. No entanto, os irmãos logo descobriram, que não eram totalmente iguais. David era o mais equilibrado, enquanto Eddie parecia ser mais o distante do trio. Pouco tempo depois, os irmãos começaram a discutir sobre as responsabilidades de cada um no restaurante, o que naturalmente gerou muitas desavenças. Bobby deixou o negócio para se tornar um advogado. Já Eddie, que estava exibindo sinais de depressão e comportamento instável, tirou a própria vida aos 33 anos, deixando para trás uma esposa e uma filha. David acabou fechando o restaurante, e se tornou um corretor de seguros.

Se o trágico fim de Eddie teve alguma relação com a desestabilização emocional diante da separação dos três irmãos, ninguém realmente sabe dizer. Aliás, ninguém também considerou a possibilidade que a fama repentina, e um eventual esquecimento posterior por parte da mídia também pudesse ter desestabilizado Eddie de alguma forma. Para vocês terem uma ideia, em uma época foi alegado, que os três meninos tinham um histórico de problemas comportamentais. Aparentemente, eles batiam suas cabeças nos berços, o que poderia denotar um sintoma de um problema de desenvolvimento. Por outro lado, os irmãos que ainda estão vivos, dizem que a informação sobre um histórico familiar de doença mental teria sido escondida dos pais adotivos.

Os Testes Realizados nos Trigêmeos e uma Estranha Coincidência Envolvendo as Famílias Adotivas


Durante um bom tempo, a agência de adoção "Louise Wise" recusou-se a explicar a razão pela qual os bebês foram separados ou o porquê detalhes cruciais sobre as crianças não tinham sido mencionados para os pais adotivos. Contudo, os pesquisadores, que investigaram os antecedentes dos trigêmeos descobriram que a agência de adoção - que se especializava em encontrar lares para bebês de mulheres, em sua maioria solteiras e judias - introduziu, depois de se "seguir os conselhos" de uma psiquiatra (a Dra. Viola Bernard, mas falaremos sobre ela daqui a pouco), uma política de separação de gêmeos e trigêmeos com base no fato das crianças não terem que competir pela atenção dos pais adotivos. Os pais adotivos de Bobby, David e Eddie foram informados, que os meninos faziam parte de um estudo de desenvolvimento infantil intensivo, que precisava continuar como condição para a adoção. Conscientes da dificuldade de encontrar bebês judeus para adotar, os pais concordaram.

Inicialmente, a agência disse que os pais tinham sido escolhidos aleatoriamente, mas, quando surgiu a informação, de que cada família tinha uma filha adotiva com cerca de dois anos de idade, no momento da adoção de cada um dos trigêmeos, e fornecida pela mesma agência, isso gerou ainda mais perguntas. A agência insistiu que não havia nenhum plano para atingir as famílias, mas depois que a história dos trigêmeos estourou na mídia, as suspeitas ganharam ainda mais força. Ao voltar para buscar um guarda-chuva esquecido, após uma reunião com a equipe sênior da agência de adoção "Louise Wise", justamente para discutir a então recente descoberta, o pai de Bobby descobriu, que a equipe tinha aberto uma garrafa de uísque especialmente para a ocasião, como se tivessem conseguido abafar com sucesso toda aquela situação.

Durante um bom tempo, a agência de adoção "Louise Wise", sob o comando de Justine Wise Polier (falecida em 1987), recusou-se a explicar a razão pela qual os bebês foram separados ou o porquê detalhes cruciais sobre as crianças não tinham sido mencionados para os pais adotivos.
Justine Wise Polier durante sua infância ao lado de sua mãe, Louise Waterman Wise.
Essa questão sobre cada família ter uma filha adotiva, com cerca de dois anos de idade, no momento da adoção de cada um dos trigêmeos, é um ponto bem interessante a ser comentado. Em uma matéria publicada pelo jornal Los Angeles Times, em 27 de outubro de 1997, foi mencionado que, a poucos dias do nascimento dos trigêmeos, Claire Kellman e seu falecido marido, Richard, moradores do Queens, tinham preenchido um formulário de adoção na agência "Louise Wise", justamente para adotar uma criança. Dois anos antes, eles tinham adotado uma filha, dessa mesma agência. Posteriormente, no entanto, eles queriam um menino. A agência disse que haveria uma longa espera devido a escassez de bebês. Então, eles ficaram surpresos quando, cerca de seis semanas depois, eles receberam uma ligação da agência.

"Eles disseram que tinham um bebê disponível para nós. Tudo correu muito rápido. Minha cabeça estava a mil por hora", disse, na época, Claira Kellman. Quando a família Kellman levou o pequeno David para casa, a agência de adoção disse, que ele já estava envolvido em um estudo de desenvolvimento infantil.

Inicialmente, a agência disse que os pais tinham sido escolhidos aleatoriamente, mas, quando surgiu a informação, de que cada família tinha uma filha adotiva com cerca de dois anos de idade, no momento da adoção de cada um dos trigêmeos, e fornecida pela mesma agência, isso gerou ainda mais perguntas.
"Eles já tinham começado. Eles perguntaram se eu daria prosseguimento, visto que eles não queriam desperdiçar as informações que já tinham", continuou, acrescentando que a primeira pesquisadora que apareceu em sua casa foi Dorothy Krugman, uma psicóloga que, na época (em 1997), prestava consultoria para a "Louise Wise".

"Ela lhe deu pinos quadrados para colocar em buracos redondos para ver a reação dele. Ela filmou ele falando e brincando. Posteriormente, eles o filmaram andando em seu triciclo e sua bicicleta. Quando ele era bem pequeno, ela apareceu com alguns brinquedos. Ela lhe deu um caminhão, um soldado de brinquedo, uma boneca e um berço", completou. Aparentemente, as famílias também precisavam ir até Manhattan, ocasionalmente, para que cada menino passasse por testes de inteligência, comportamento e personalidade.

Aparentemente, as famílias também precisavam ir até Manhattan, ocasionalmente, para que cada menino passasse por testes de inteligência, comportamento e personalidade.
Posteriormente, Krugman foi substituída por Christa Balzert, uma psicóloga que atuou como instrutora na Universidade de Nova York, quando o Dr. Peter Neubauer era professor de Psiquiatria. Christa Balzert visitou a casa dos Kellman durante alguns meses. Os estudos prosseguiram durantes anos, com pesquisadores que apareciam periodicamente para monitorar o progresso de David. Quando o menino completou 12 ou 13 anos, as sessões pararam. Na casa do Dr. Morton Shafran e sua falecida esposa, Elsa, em Scarsdale, pais adotivos de Bobby Shafran, e na casa de Eddie Galland em New Hyde Park, ocorreram sessões semelhantes, e histórias igualmente semelhantes foram contadas às famílias.

"Quando nos ofereceram o Bobby para adoção, nos disseram que ele nasceu em um estudo de desenvolvimento infantil. Durante diversas vezes no ano eles apareciam, faziam testes e o fotografavam", disse Morton Shafran.

Os estudos prosseguiram durantes anos, com pesquisadores que apareciam periodicamente para monitorar o progresso de David. Quando o menino completou 12 ou 13 anos, as sessões pararam. Na casa do Dr. Morton Shafran e sua falecida esposa, Elsa, em Scarsdale, pais adotivos de Bobby Shafran, e na casa de Eddie Galland em New Hyde Park, ocorreram sessões semelhantes, e histórias igualmente semelhantes foram contadas às famílias.
"Quando nos ofereceram o Bobby para adoção, nos disseram que ele nasceu em um estudo de desenvolvimento infantil. Durante diversas vezes no ano eles apareciam, faziam testes e o fotografavam", disse Morton Shafran.
Curiosamente, pelo menos um dos trigêmeos pareceu sentir que não estava sozinho, muito embora vivessem a algumas dezenas ou centenas de quilômetros de distância uns dos outros.

"David começou a falar muito cedo. Lembro-me de ele acordar e dizer: Tenho um irmão. Todos nós comentamos sobre seu 'irmão imaginário'", disse Claire Kellman. Posteriormente, veio à tona, que todos os meninos apresentavam sintomas de ansiedade devido a separação durante a infância, mas isso só fazia sentido em retrospectiva.

Foi nessa mesma matéria onde surgiu a informação, que os pais adotivos dos trigêmeos tinham passado a acreditar, que tinham sido pré-selecionados para receber os meninos, devido a composição de suas famílias. Em cada família havia uma filha adotiva com cerca de 2 anos de idade. Após terem percebido esse padrão, os pais dos trigêmeos realizaram uma reunião para encarar, frente a frente, os funcionários da "Louise Wise", nos escritórios da agência. Segundo Morton Shafran, a agência inicialmente negou qualquer envolvimento dos trigêmeos nos estudos. Eles também negaram qualquer planejamento nesse sentido. Entre aqueles que estavam na reunião, estava justamente a Dra. Viola Bernard, a psiquiatra que teria aconselhado a agência a separar os meninos.

Em 1997, Nancy Ledy-Gurren, advogada da agência "Louise Wise", disse que o estudo também envolveu gêmeos colocados para adoção em outras agências. Naquela época, muitas pessoas expressaram indignação contra o estudo, e ex-diretores de agências de adoção, que não participaram do estudo, expressaram desconforto em separar crianças gêmeas. De qualquer forma, Nancy Ledy-Gurren disse que as atividades da agência "Louise Wise" precisavam ser vistas diante do contexto da época em que foram realizadas, quando havia menos ênfase em manter os irmãos juntos.

Em 1997, Nancy Ledy-Gurren, advogada da agência "Louise Wise", disse que o estudo também envolveu gêmeos colocados para adoção em outras agências.A imagem acima mostra o antigo local onde funcionava a agência "Louise Wise"
"Existem muitos remédios, que não resistem por muito tempo, mas, ainda assim eles têm validade e uma boa dose de fé por trás deles. Acredito que seja isso, que estamos lidando aqui, uma comunidade de pessoas que achava, que o melhor interesse da criança estava na separação, e fazia isso em benefício da criança", disse Nancy Ledy-Gurren, acrescentando que, em todos os casos, as mães biológicas concordaram com a separação das crianças.

"Como vocês podem fazer isso com crianças pequenas? Como vocês podem fazer isso com bebês, crianças inocentes sendo separadas ao nascer?", questionou Bobby Shafran que, na época, morava no Brooklyn, e estava cursando direito.

"Nós roubaram 20 anos de convivência", disse David Kellman que, na época, morava na cidade de Maplewood, Nova Jersey, e ainda tinha o restaurante "Triplets Roumanian Steak House", em Nova York. O terceiro gêmeo, Eddie Galland, havia tirado a própria vida cerca de dois anos antes, em 1995, em sua própria casa, na cidade de Maplewood. Nem a viúva e nem seus pais adotivos, Elliott e Annette Galland, de Fort Lauderdale, no estado da Flórida, responderam a um pedido de entrevista do jornal "Los Angeles Times".

O Perfil da Dra. Viola Bernard


A Dra. Viola Bernard é uma parte emblemática em toda essa história. Em 1997, aos 90 anos de idade, ela acreditava que filhos de nascimentos múltiplos poderiam desenvolver suas próprias personalidades, se crescessem separadamente, livres de competição pela atenção de seus pais. Na época da matéria do Los Angeles Times, no entanto, ela se recusou a comentar sobre o assunto, dizendo que toda e qualquer pergunta deveria ser direcionada ao Dr. Peter Neubauer. A Dra. Viola Bernard acabou morrendo poucos meses depois, em 21 de março de 1998, aos 91 anos de idade.

Viola W. Bernard aos 7 anos de idade
De acordo com uma página do Departamento de História da Universidade do Oregon, Viola Bernard era uma psiquiatra social pioneira, cuja visão da saúde mental presumiu vínculos fundamentais entre a vida das comunidades e a vida dos indivíduos. Ela acreditava que causas, assim como os direitos civis, a paz e a pobreza urbana, eram fatores determinantes no bem-estar infantil e familiar, e Bernard os perseguiu ativamente ao longo de sua vida. Sua convicção de que a adoção era um problema crítico de saúde mental deixou uma marca duradoura no mundo da adoção, ao mesmo tempo que ilustrava sua lealdade teórica à psiquiatria comunitária e seus esforços práticos para aumentar sua influência.

Uma líder profissional empenhada em explorar as poderosas forças sociais, que infundiram o comportamento e as relações humanas, Bernard acreditava que os eventos dentro dos indivíduos, as interações entre os mesmos, e as relações entre as instituições sociais estavam todas interligadas, sujeitas a inquéritos científicos, e em necessidade urgente de gerenciamento racional. Ela era uma psiquiatra dedicada, que também realizava pesquisas sobre as dimensões psicossociais da fertilidade e infertilidade, e acompanhou os casos de gêmeos adotados, separados no nascimento, para investigar o problema da "Natureza vs Criação". Porém, foi a busca da justiça social liberal, que iluminou desenvolvimentos importantes na história da adoção durante a década de 1930. Não menos importante acabou sendo o aumento dos números e tipos de crianças consideradas adotáveis: crianças afro-americanas, crianças com deficiência, e crianças com necessidades especiais.

Bernard manteve um longo relacionamento, e totalmente não remunerado com a "Louise Wise Services", uma das primeiras agências de adoção especializada do país. Durante seus 40 anos como Consultora Psiquiátrica Chefe, e seus 50 anos como membro do conselho, Bernard foi madrinha da agência, instigando uma série de reformas práticas e morais. O resultado foi a transformação da agência, de uma organização sectária dedicada às adoções judaicas antes da Segunda Guerra Mundial, em uma inovadora prestadora de serviços para "crianças de cor" (é exatamente assim que está escrito) nas décadas de 1950 e 1960.

Juntamente com Justine Wise Polier (cuja mãe, Louise Wise, foi fundadora da agência), Bernard trabalhou para garantir que a equipe da agência fosse racialmente inclusiva, e que suas ações exemplificassem o objetivo da não discriminação. Ela estava orgulhosa de que sua agência estabelecesse um Programa de Adoção Interracial, em 1952, que recrutasse ativamente as famílias adotivas minoritárias e experimentasse desde o início as adoções transraciais. Durante o andamento do "Projeto Indiano de Adoção", a "Louise Wise Services" alocou mais crianças nativas do que qualquer outra agência particular dos Estados Unidos.

Viola W. Bernard ao se graduar na Escola de Medicina
de Cornell, em Nova York, no ano de 1936
O pensamento de Bernard sobre a adoção foi moldado pelos detalhes de seus antecedentes pessoais e treinamento profissional. Ela nasceu em Nova York, em 1907, filha de Jacob Wertheim, um rico empresário e filantropo alemão-judeu, e sua segunda esposa, Emma Stern. Assim como Justine Wise Polier, que era uma amiga de infância, Bernard se beneficiou dos raros privilégios educacionais entre as mulheres norte-americanas daquela época. Depois de frequentar a Escola de Cultura Ética em Nova York, ela fez cursos de faculdade em Smith, Barnard, Johns Hopkins e na Universidade de Nova York. A vida de Bernard sendo uma jovem adulta também foi excepcional em outras formas. Ela morava em um ashram, chamado Clarkstown Country Club, onde praticava ioga e estudava filosofia oriental muito antes de se tornarem moda. Através de Clarkstown, ela se encontrou e se casou com Theos Casimir Bernard, um estudioso do budismo tibetano. O casamento durou quatro anos. Bernard nunca se casou novamente ou teve filhos. Ela morou a maior parte da sua vida na Quinta Avenida em Manhattan acompanhada por inúmeros cães de estimação.

Em 1936, Bernard se formou na Faculdade de Medicina da Universidade Cornell. Então, ela deu início a uma série de residências psiquiátricas, inclusive no Instituto de Psicanálise de Nova York. Ela pertenceu à primeira geração psiquiátrica depois de Sigmund Freud, e sustentava que a teoria psicodinâmica de Freud era a fonte de insights cruciais sobre a infertilidade, a identidade adotada e as controvérsias que cercavam a confidencialidade e os registros selados, bem como a busca e a reunião. Tendo como colega e mentora, Marion Kenworthy, que a ajudou a criar o trabalho social psiquiátrico, Bernard estava genuinamente interessada em saber como a psiquiatria poderia aprender com outras profissões, bem como o que poderia oferecer as mesmas. O esforço de Bernard para tornar a psicanálise mais acessível - ao estabelecer a primeira clínica de psicanálise de baixo custo do país, na Universidade de Columbia - era típico de sua campanha para tornar os serviços de saúde mental amplamente disponíveis.

Tendo como colega e mentora, Marion Kenworthy (à esquerda), que a ajudou a criar o trabalho social psiquiátrico, Bernard estava genuinamente interessada em saber como a psiquiatria poderia aprender com outras profissões, bem como o que poderia oferecer as mesmas
A longa carreira de Bernard foi marcada por distinção profissional e engajamento social com uma ampla gama de causas, desde direitos civis e liberdades civis, até a paz e o desarmamento nuclear. Ela foi membro fundadora do Grupo para o Avanço da Psiquiatria, um grupo de interesse importante na Associação Americana de Psiquiatria, que antecipava a orientação cada vez mais social e psicodinâmica da psiquiatria na era do pós-guerra. Ela foi uma defensora vocal de Alger Hiss, alvo de um dos mais famosos casos de espionagem do início da Guerra Fria. A própria Bernard foi suspeita de atividades "não americanas", e foi investigada entre 1951 e 1952, pela Agência Federal de Segurança. Bernard assinou a declaração de ciências sociais, "Os efeitos da segregação e as consequências da desagregação", que influenciaram o caso "Brown vs Conselho de Educação", um caso marcante de 1954, que encerrou a segregação educacional nos Estados Unidos.

O desejo de Bernard de ver as barreiras raciais desmanteladas também se estendeu à sua própria profissão. Atuando como uma conselheira de carreira não oficial para psiquiatras minoritários, Bernard acreditava que o progresso ocorria quando ela não fosse mais capaz de conhecer todos os psiquiatras afro-americanos nos Estados Unidos. Movida pelo famoso intercâmbio de guerra entre Sigmund Freud e Albert Einstein, Bernard participou das reuniões das Conferências Pugwash sobre Ciência e Negócios Mundiais, que foram eventualmente premiadas com o Prêmio Nobel da Paz.

Movida pelo famoso intercâmbio de guerra entre Sigmund Freud e Albert Einstein, Viola Bernard participou das reuniões das Conferências Pugwash sobre Ciência e Negócios Mundiais, que foram eventualmente premiadas com o Prêmio Nobel da Paz.
A ação profissional, política e pessoal não foram campos de atividades distintas para Bernard. Entre 1971 e 1972, ela foi eleita vice-presidente da Associação Americana de Psiquiatria em uma oposição histórica, que protestava contra a Guerra do Vietnã. No mundo da defesa do bem-estar infantil, suas afiliações incluíram o Comitê de Cidadãos para Crianças de Nova York, o Escritório de Orientação Infantil do Conselho de Educação da Cidade de Nova York e a Escola Wiltwyck para Rapazes. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela permitiu que sua casa de verão, em Nyack, em Nova York, fosse usada pelo Comitê do Serviço Americano de Amigos para abrigar refugiados da Alemanha Nazista. De 1956 a 1969, Viola dirigiu a Divisão de Psiquiatria Comunitária e Social na Faculdade de Medicina da Universidade de Columbia, onde supervisionou um programa de treinamento dedicado a esculpir uma jurisdição ampla e multifacetada para a psiquiatria. Bernard acreditava, que as exigências administrativas e organizacionais da psiquiatria social eram inevitáveis, mas também criavam um risco ocupacional de distância excessiva entre os praticantes e as comunidades que serviam. Por exemplo, era apropriado que os psiquiatras sociais reformassem as leis relacionadas à saúde mental infantil e familiar, mas a advocacia legal poderia distrair-se das lutas diárias dos indivíduos, a menos que fosse conscientemente equilibrada com a prática contínua da psicoterapia.

De acordo com sua sobrinha, Joan Wofford (na foto),
a ambição intelectual de Bernard era assustadora
Conhecida por amigos e familiares íntimos como "Vi", Bernard tinha, acima de tudo, uma personalidade muito forte: carismática, opinativa, leal, intimidante, admirável e absolutamente determinada a alcançar seus objetivos. Sua assistente pessoal por mais de 25 anos, a Dra. Kathleen Kelly, a chamava de "inesquecível", e "um ser humano espumante". "Ela era extremamente exigente e perfeccionista, e estabeleceu padrões muito elevados para si e para todos os que trabalharam com ela", disse a Dra. Kathleen Kelly. As ideias de Bernard sobre a relação entre a psicologia pessoal e social eram tão brilhantes e complicadas quanto ela. Bernard acreditava que tudo estava sempre relacionado a todo restante, e ela apelidava sua abordagem abrangente de "ecológica", antes que esse termo fosse popularizado pelos ambientalistas. De acordo com sua sobrinha, Joan Wofford, a ambição intelectual de Bernard era assustadora. Os alunos, às vezes, achavam difícil seguir o seu pensamento elaborado e sinuoso. É um testemunho do formidável intelecto e energia de Bernard, com os quais ela muitas vezes conseguiu resolver problemas, e exigiu equidade de forma tão eficaz em favor de crianças e famílias desfavorecidas.

A adoção personificou a psiquiatria preventiva a que Bernard dedicou toda sua carreira. Reunir crianças e adultos juntos exigia habilidade diagnóstica e colaboração profissional, e Bernard valorizou ambos. Porém, a adoção foi muito mais do que uma série de passos, que resultaram na formação de novas famílias. Foi um processo terapêutico de "rearranjo psíquico", que alterava a vida e ao longo da vida. Segundo Bernard, "a realidade social central da adoção é o seu poder para prevenir a miséria e o precário desenvolvimento de crianças que não possuem famílias". A adoção contribuiu para a saúde mental de seus participantes, reparando os traumas da infertilidade e a separação dos pais, enquanto as ideias psiquiátricas sobre ilegitimidade (crianças nascidas de pais não casados) e práticas clínicas, tais como testes mentais e estudos domiciliares, asseguraram a viabilidade psicológica da adoção.

Bernard sabia que não havia garantias na adoção. Certa vez, ela contou a história de Sarah, de 11 anos, que ela pessoalmente retirou de um lar adotivo desastroso, como "uma das tarefas mais dolorosas, que já se deparou, um equivalente psiquiátrico a uma cirurgia radical". Porém, segundo Bernard, o caso de Sarah foi excepcional. A maioria das alocações conduzidas sob os auspícios de agências profissionais foram bem geridas. As crianças foram observadas de perto, os pais foram selecionados com cuidado, e o resultado foi "uma experiência humana notável", que impediu muitos outros problemas do que causou. A crença de Bernard nas qualidades "afirmativas" da adoção foi uma das razões pelas quais ela rejeitou tão vigorosamente o argumento de que a adoção colocava as crianças em maior risco de psicopatologia, uma tese perpetuada por Marshall Schechter e outros clínicos na década de 1960. Na ausência de provas convincentes de que a adoção levava a"desajustes", tudo aquilo que prejudicava a confiança pública na adoção era uma tragédia para a saúde pública e o bem-estar da criança.

A crença de Bernard nas qualidades "afirmativas" da adoção foi uma das razões pelas quais ela rejeitou tão vigorosamente o argumento de que a adoção colocava as crianças em maior risco de psicopatologia, uma tese perpetuada por Marshall Schechter e outros clínicos na década de 1960. Na ausência de provas convincentes de que a adoção levava a "desajustes", tudo aquilo que prejudicava a confiança pública na adoção era uma tragédia para a saúde pública e o bem-estar da criança.
As ideias de Bernard moldaram e refletiram tendências poderosas no campo da adoção, e na psiquiatria, durante a década de 1930. Sua carreira sugeriu profissionalização, conhecimento científico e abordagens terapêuticas. Ainda segundo Bernard, "o princípio orientador da prática da adoção moderna é a aplicação do melhor que se sabe sobre a vida familiar em geral em relação as circunstâncias especiais de adoção".

Segundo o obituário de Viola Bernard, publicado no jornal "The New York Times", ela foi autora de cerca de 100 artigos científicos e diversos livros. Antes de morrer, ela havia finalizado um estudo sobre a relevância da psiquiatria e da psicanálise em contextos sociais, e que seria publicado postumamente. Ainda segundo o "The New York Times", sua receita para aliviar o peso da mudança para uma nova casa, por parte das crianças adotadas, era fazer com que elas visitassem o novo local com antecedência. "Ajudar as crianças a ver para onde elas estão indo reduz o medo da estranheza", aconselhava a Dra. Violet Bernard.

O Perfil do Dr. Peter Neubauer e Seu Projeto Secreto Financiado Pelo Governo dos Estados Unidos e Empresas Privadas: Um Experimento Totalmente Legal Perante a Lei


Outro personagem muito importante em toda essa história é o Dr. Peter Neubauer. Peter Bela Neubauer nasceu em 5 de julho de 1913, em Krems, na Áustria, no seio de uma família judaica. Ele obteve seu diploma de Medicina, na Universidade de Berna, na Suíça, em 1938, escapando da perseguição nazista na Áustria. Posteriormente, em 1941, Peter Neubauer deixou a Suíça e foi para a cidade de Nova York, onde complementou sua formação acadêmica no Instituto de Psicanálise de Nova York, antes de se juntar ao Centro de Desenvolvimento Infantil.

A partir da década de 1950, o Dr. Peter Neubauer passou a ser frequentemente citado no jornal "The New York Times", entre outras publicações, oferecendo palavras de consolo para os pais de "crianças problemáticas", e defendendo a sensibilidade ao lidar com os desafios da infância, incluindo a pré-escola, e os acampamentos de verão. Ele acreditava, que a utilização de armas entre os meninos era comum, e provavelmente encorajado pela televisão, mas queria entender melhor os motivos dos impulsos agressivos das crianças e encontrar maneiras de orientá-las para fins mais construtivos.

Peter Bela Neubauer nasceu em 5 de julho de 1913,
em Krems, na Áustria, no seio de uma família judaica
O Dr. Peter Neubauer, psicanalista e aluno de Anne Freud, filha de Sigmund Freud, manteve plataformas proeminentes em termos de psicologia infantil. De 1951 a 1985, ele foi o diretor do Centro de Desenvolvimento Infantil do Conselho Judaico de Serviços Familiares e Infantis, em Manhattan, onde estudou a saúde emocional e o desenvolvimento de crianças na pré-adolescência.

Em 1960, como parte de um painel da Universidade de Columbia, que analisava a questão sobre os possíveis efeitos da violência televisiva sobre o desenvolvimento emocional das crianças, o Dr. Neubauer afirmou que a televisão poderia provocar pesadelos em jovens telespectadores, e fazer com que fossem desenvolvidos problemas emocionais nos mesmos. Ele discutiu com o então editor da Random House (uma das principais editoras em língua inglesa do mundo), Bennett Cerf, que defendia a televisão como um tônico intelectual. O Dr. Neubauer disse que exibições repetidas de violência "subaquática, sobre água, no solo e no ar" poderiam desencadear uma influência maligna, especialmente para crianças entre 4 e 7 anos.

O Dr. Samuel Abrams, então presidente da Fundação Anna Freud, disse que o Dr. Neubauer "se destacava nos artigos sobre traços fundamentais em crianças, e aqueles com circunstâncias ambientais incomuns, assim como a crianças monoparentais". Em 1962, o Dr. Neubauer escreveu uma análise freudiana do assunto, "The One-Parent Child and His Oedipal Development" ("O Filho de um Único Pai e Seu Desenvolvimento Edipiano", em português).

Posteriormente, em 1941, Peter Neubauer deixou a Suíça e foi para a cidade de Nova York, onde complementou sua formação acadêmica no Instituto de Psicanálise de Nova York (na foto), antes de se juntar ao Centro de Desenvolvimento Infantil.
Entre a década de 1970 até a sua morte, em fevereiro de 2008, aos 94 anos, o Dr. Neubauer foi um dos co-editores do periódico "The Psychoanalytic Study of the Child", uma revisão anual das novas descobertas em terapia infantil e análise, publicada pela Editora da Universidade de Yale. Em 1982, o Dr. Neubauer voltou-se para estudar os efeitos dos filmes de terror e comparou suas imagens sangrentas com a televisão. Ele concluiu, que as crianças com uma vida familiar saudável, normalmente conseguiam distinguir as imagens fantasiosas da realidade. Porém, ele também descobriu que crianças de famílias emocionalmente instáveis, às vezes, faziam correlações entre as imagens assustadoras e seus relacionamentos domésticos. Curiosamente, ele teria descoberto que o filme "O Mágico de Oz" provocava as respostas mais assustadoras.

Enfim, conforme já sabemos, e com o objetivo de avaliar os efeitos do ambiente socioeconômico no desenvolvimento dos meninos, o Dr. Peter Neubauer, um psicanalista que dirigia o Centro de Desenvolvimento Infantil de Manhattan, colocou cada menino em casas judaicas de classes sociais muito diferentes. O pai de Bobby Shafran era médico, e sua mãe era advogada. Eles moravam na imponente e nobre cidade de Scarsdale, no Condado de Westchester. A família de Eddie Galland morava em um subúrbio de classe média, em Long Island, onde seu pai era professor. Já David Kellman vivia no Queens, um bairro considerado de "classe trabalhadora".

O pai de Bobby Shafran era médico, e sua mãe era advogada.
Eles moravam na imponente e nobre cidade de Scarsdale, no Condado de Westchester
A família de Eddie Galland morava em um subúrbio de classe média,
em Long Island, onde seu pai era professor.
Já David Kellman vivia no Queens, um bairro considerado de "classe trabalhadora".
Posteriormente, foi verificado que os gêmeos eram parte de um estudo secreto, porém legal (no sentido explícito de "dentro da lei"), coordenado pelo Dr. Peter Neubauer. Ele queria explorar o longo debate entre "Natureza vs Criação", ou seja, até que ponto somos moldados por nossos genes e pelo ambiente que nos cerca. Irmãos idênticos, separados no nascimento, proporcionaram-lhe uma oportunidade deslumbrante. Algo que raramente se divulga, no entanto, é que seu estudo foi parcialmente financiado pelos Institutos de Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Em outras palavras, financiado com dinheiro público, dos contribuintes, e com o aval do governo norte-americano.

Em 1997, um representante dos Institutos Nacionais de Saúde disse, que o Dr. Peter Neubauer recebeu uma verba de US$ 9.642, em 1965 (o equivalente atualmente a US$ 76 mil), para realizar um estudo intitulado "Longitudinal Study of Monozygotic Twins Reared Apart" ("Estudo Longitudinal de Jovens Monozigóticos Distanciados", em português), e que a agência não podia comentar sem revisar os registros do projeto. O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, sendo que o Dr. Peter Neubauer também recebeu verbas de pelo menos duas fundações privadas. Apesar da controvérsia, o estudo, aparentemente, não violou regras, que exigiam o prévio consentimento para a realização de experimentos humanos. Não existiam tais regras sobre estudos comportamentais naquela época, e não existiam leis que proibissem a separação de gêmeos. Simples assim.

Algo que raramente se divulga, no entanto, é que seu estudo foi parcialmente financiado pelos Institutos de Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Em outras palavras, financiado com dinheiro público, dos contribuintes, e com o aval do governo norte-americano.
Além disso, o Estado de Nova York começou a pedir, que as agências de adoção mantivessem os irmãos juntos, em um mesmo lar, somente a partir de 1981. Porém, a regra dava às agências uma certa "margem de manobra". As agências podiam separar os irmãos, na hipótese de que mantê-los unidos prejudicaria um ou ambos. Por exemplo, se uma criança fosse gravemente incapacitada, e não pudesse ser colocada para adoção. Por outro lado, no caso dos trigêmeos, nenhum dos pais adotivos foi questionado se eles levariam mais de uma criança para casa. De qualquer forma, essa questão envolvendo o Estado de Nova York não era bem obrigatória, era mais uma espécie de "orientação reforçada", por assim dizer.

De qualquer forma, um ponto importante a ser ressaltado, é que o controverso estudo envolvendo gêmeos e trigêmeos separados ao nascerem teria sido concluído na década de 1980. O Dr. Neubauer recusou a publicá-lo, e os registros completos estão "selados" na Biblioteca da Universidade de Yale.

Em 25 de outubro de 2007, a Rádio Pública Nacional (NPR), uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos e de titularidade pública do governo dos Estados Unidos, disse que essa restrição de acesso é válida até o ano de 2066, razão pela qual existe tanta dificuldade em obter informações sobre o esse estudo.

O Dr. Neubauer recusou a publicá-lo, e os registros completos estão "selados" na Biblioteca da Universidade de Yale. Em 25 de outubro de 2007, a Rádio Pública Nacional (NPR), uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos e de titularidade pública do governo dos Estados Unidos, disse que essa restrição de acesso é válida até o ano de 2066, razão pela qual existe tanta dificuldade em obter informações sobre o esse estudo.
Em entrevista ao "Los Angeles Times", em 1997, o Dr. Peter Neubauer, que na época tinha 84 anos, defendeu seu trabalho como sendo algo importante a ser feito, e disse que os indivíduos seriam separados de qualquer forma, devido uma política da agência "Louise Wise".

"Eles não foram separados para fins de pesquisa. Eles decidiram fazer isso e, então vieram até mim. Quando descobriram sobre essa política, decidimos que seria uma ótima oportunidade de pesquisa", disse, na época, o Dr. Peter Neubauer.

"Todos estão interessados nisso. Nós estudamos as crianças desde a infância", continuou. Ao explicar a razão pela qual ele não publicou grande parte de sua pesquisa, o Dr. Neubauer disse que estava preocupado, que algumas das crianças envolvidas no estudo reagissem negativamente à publicação das informações.

"Não irei compactuar com o interesse de vocês (do 'Los Angeles Times') em coisas, que quero proteger.  Nós queremos proteger nossos dados e queremos proteger as pessoas que estudamos", disse o Dr. Peter Neubauer, que dirigiu o Centro de Desenvolvimento Infantil do Conselho Judaico de Serviços Familiares e Infantis, que coordenava agências de assistência social, quando o estudo começou.

Os Trigêmeos Não Foram os Únicos: O Caso Envolvendo as Gêmeas Paula Bernstein e Elyse Schein, e os Diversos Casos Jamais Mencionados


Em 2004, Paula Bernstein recebeu um telefonema de uma funcionária da "Louise Wise", a agência onde havia sido adotada. O motivo? Ela tinha uma irmã gêmea, que estava procurando por ela. A mulher disse a Paula Bernstein o nome de sua gêmea: Elyse Schein. Sua irmã gêmea, que estava morando em Paris, na época, estava tentando encontrar informações sobre sua mãe biológica, quando ela soube por parte da agência de adoção, que ela tinha uma irmã gêmea. As duas mulheres se encontraram pela primeira vez em uma cafeteria da cidade de Nova York.

"Ficamos 35 anos sem saber da existência uma da outra. Como você começa a perguntar a alguém: 'O que você fez desde que compartilhamos o mesmo útero?'. 'Por onde se começa?'",questionou Paula Bernstein, que pouco tempo depois descobriu que fazia parte de um experimento social.

"Quando as famílias adotaram essas crianças, elas foram informadas de que seu(ua) filho(a) já fazia parte de um estudo de desenvolvimento infantil. Porém, obviamente, eles não contaram o motivo principal do estudo, que foi o desenvolvimento infantil entre gêmeos criados em casas diferentes", continuou.

Em 2004, Paula Bernstein (à esquerda, de vermelho) recebeu um telefonema de uma funcionária da "Louise Wise", a agência onde havia sido adotada. O motivo? Ela tinha uma irmã gêmea, que estava procurando por ela. A mulher disse a Paula Bernstein o nome de sua gêmea: Elyse Schein (à direita, de azul).
Peter Neubauer, um psiquiatra infantil, e Viola Bernard, uma psicóloga infantil e consultora da agência "Louise Wise", lideraram o estudo. Lawrence Perlman, um assistente de pesquisa no estudo entre 1968 e 1969, disse que Viola Bernard tinha uma forte convicção, de que os gêmeos deveriam ser criados separadamente.

"Ela sentia, que o fato dos gêmeos serem vestidos da mesma forma, e serem tratados exatamente da mesma maneira, interferia com o desenvolvimento psicológico independente", disse Lawrence Perlman. Aliás, Lawrence Wright, autor do livro "Twins", um livro sobre estudos de gêmeos, também foi consultado, pela NPR.

"Desde o início da ciência, os gêmeos ofereceram uma oportunidade única para estudar até que ponto a natureza e a criação influenciam a maneira como desenvolvemos, as pessoas que nos tornamos. Do ponto de vista científico, é lindo. É praticamente o estudo perfeito. Porém, este tipo de estudo nunca mais acontecerá", Lawrence Wright, observando que o estudo do Dr. Neubauer se distinguiu de todos os outros estudos sobre gêmeos, uma vez que os acompanhou desde a infância.

"Desde o início da ciência, os gêmeos ofereceram uma oportunidade única para estudar até que ponto a natureza e a criação influenciam a maneira como desenvolvemos, as pessoas que nos tornamos. Do ponto de vista científico, é lindo. É praticamente o estudo perfeito. Porém, este tipo de estudo nunca mais acontecerá", Lawrence Wright.
Segundo a NPR, o estudo terminou em 1980 e, um ano depois, o Estado de Nova York começou a "exigir" que as agências de adoção mantivessem os irmãos juntos. Paula Bernstein disse que, nesse ponto, o Dr. Neubauer percebeu que a opinião pública seria tão contrária ao estudo, que ele decidiu não publicá-lo. Conforme dissemos anteriormente, os resultados do estudo foram "selados" até 2066, no arquivo da Universidade de Yale.

"É meio perturbador pensar que todo esse material sobre nós está em algum arquivo, em algum lugar. E, sinceramente, precisamos descobrir qual foi a verdadeira história", disse Paula Bernstein. As irmãs tentaram falar com o Dr. Neubauer que, inicialmente, se recusou a falar com elas. Eventualmente, ele concedeu às mulheres uma entrevista não oficial, sem a permissão para gravar áudio ou vídeo. Paula disse que esperava, que o Dr. Neubauer se desculpasse por separar os gêmeos. Em vez disso, ele não demonstrou remorso e não deu nenhuma desculpa.

Paula disse que esperava, que o Dr. Neubauer se desculpasse por separar os gêmeos. Em vez disso, ele não demonstrou remorso e não deu nenhuma desculpa.
O Dr. Neubauer raramente falou sobre o estudo. Porém, em meados da década de 1990, ele falou sobre o mesmo com Lawrence Wright, o autor de "Twins".

"Neubauer insistiu que, na época, era uma questão de consenso científico, de que era melhor separar os gêmeos no nascimento, e criá-los separadamente", disse Lawrence Wright, que por sua vez alegou que nunca encontrou nada na literatura que apoiasse isso. Lawrence Wright também disse que o Dr. Neubauer nunca expressou remorso pelo que fez, embora ele admitisse, que o projeto levantou questões éticas sobre se alguém tem o direito ou deve separar gêmeos idênticos.

"É muito difícil de responder a essa pergunta. É por estas e outras razões, que esses estudos não ocorrem", disse o Dr. Neubauer para Wright. Curiosamente,  Lawrence Wright disse que nenhum estudo desse tipo será feito novamente, e nem deveria ser, de qualquer forma. Contudo, ele reconheceu, que seria muito interessante aprender tudo aquilo que o estudo do Dr. Neubauer tinha para nos ensinar.

"Neubauer insistiu que, na época, era uma questão de consenso científico, de que era melhor separar os gêmeos no nascimento, e criá-los separadamente", disse Lawrence Wright, que por sua vez alegou que nunca encontrou nada na literatura que apoiasse isso.
"Por sermos gêmeas, isso nos obriga a questionar a participação disso em quem somos. Desde o encontro com a Elyse, é inegável que a genética desempenha um papel importante, provavelmente mais de 50%", disse Paula Bernstein.

"Não é apenas o nosso gosto em música ou livros, é muito além disso. Nela, vejo a mesma personalidade básica. No entanto, eventualmente precisamos perceber, que somos pessoas diferentes com diferentes histórias de vida", continuou.

Por mais que Paula acreditasse, que os pesquisadores fizeram a coisa errada ao separar os gêmeos, ela disse que não conseguia se imaginar crescendo ao lado de sua irmã gêmea.

"Essa a vida nunca aconteceu. E é triste que, por mais que estejamos tão perto quanto estamos agora, não haja nenhuma forma de compensar esses 35 anos", completou.

Por mais que Paula acreditasse, que os pesquisadores fizeram a coisa errada ao separar os gêmeos, ela disse que não conseguia se imaginar crescendo ao lado de sua irmã gêmea.
"Em relação a mim e a Paula, é difícil imaginarmos onde vamos parar. É realmente um território inexplorado. Porém, eu realmente a amo, e não consigo imaginar minha vida sem ela", finalizou.

Na época (em 2007), o Dr. Neubauer se recusou a ser entrevistado. Segundo a NPR, das 13 crianças envolvidas em seu estudo, três conjuntos de gêmeos, e um conjunto de trigêmeos descobriram a existência uns dos outros. Os outros quatro indivíduos do estudo, ainda não sabiam que eles tinham irmãos gêmeos idênticos.

Comentários Finais


Geralmente aprendemos na escola, que os nazistas eram pessoas malvadas, que os soviéticos eram pessoas da pior espécie, e que, em um passe de mágica, de um dia para o outro, todos aqueles milhões de nazistas e soviéticos se transformaram em cidadãos alemães e russos exemplares. Não, isso não aconteceu. Quando impérios, governos ou sistemas caem, seus apoiadores continuam existindo por um tempo, eles apenas se silenciam, uma vez que a causa em jogo está perdida ou quando descobrem o que realmente aconteceu bem debaixo dos seus narizes. Quando me perguntam a razão pela qual o Holocausto aconteceu, geralmente a pessoa espera uma resposta técnica ou política, mas todo aquele horror que temos conhecimento, e tantos outros que nunca faremos a menor ideia, aconteceu devido a uma pequena palavra, que todos adoram: esperança. É estranho, não é mesmo? Como a esperança pode ter gerado aquilo? Bem, antes de todo o sistema político e econômico ser implantado pelos nazistas, você precisava andar com um carrinho de mão para poder fazer uma compra na padaria. Porém, esse carrinho não era para levar suas compras para casa, era para levar a quantidade de notas de dinheiro necessária para fazer a compra. Houve uma hiperinflação na Alemanha entre 1919 e 1923, ou seja, começou logo após a Primeira Guerra Mundial, onde a Alemanha saiu arrasada devido ao pagamento de reparações onerosas impostas aos perdedores. No final de 1923, a taxa de câmbio do marco alemão já era de um trilhão de marcos para um dólar. Isso significa, que a moeda havia perdido 99,9999999996% do seu poder de compra nesse período, ou seja, ela valia um milionésimo de milhão do que valia há apenas dez anos. Em meados de 1922, uma fatia de pão custava 428 milhões de marcos. Já em novembro de 1923, uma quantidade de marcos que, dez anos atrás compraria 500 bilhões de ovos, mal conseguia comprar um único ovo. Saques, vandalismo, roubos, ascensão da prostituição, inanição, doenças, e até mesmo consumo de cães tinham se tornado banais. Pessoas tinham suas roupas roubadas nas ruas.

Houve uma tentativa de estabilização econômica após 1923, mas cerca de seis anos depois veio a Grande Depressão, que abriu uma grande ferida no corpo da sociedade alemã, cuja pele ainda estava em carne viva. As pessoas não tinham mais horizonte, não sabiam mas o que fazer, e não tinham mais perspectiva de vida. Milhões de alemães viram no Partido Nazista uma única coisa: esperança. E foram recompensadas. Havia emprego, poder de compra, uma vida e uma ideologia, de que era importante permanecer unido em nome de um país forte. A absoluta maioria das pessoas não se importava mais com aquilo que era necessário ser feito. Obviamente, através de mentiras, conluios e uma série de ações, o Partido Nazista, com o tempo, mostrou suas verdadeiras intenções e arrastou uma população totalmente cega e esperançosa com ele. O restante, bem, vocês já sabem o que aconteceu.

Então, eis que você descobre um experimento social, consideravelmente cruel, realizado por judeus. O Dr. Peter Neubauer e a Dra. Viola Bernard eram judeus, inclusive Neubauer havia inicialmente ido para a Suíça para fugir da perseguição nazista. A agência de adoção, a "Louise Wise", havia sido fundada por uma judia, e quando tudo aconteceu estava sob administração de sua filha judia. O hospital onde os trigêmeos nasceram era judaico, e os demais gêmeos ou trigêmeos também eram judeus. Para completar as famílias adotivas também eram judaicas. E ao invés, do Dr. Peter Neubauer abrir os registros, ao menos para os envolvidos, ou dar uma satisfação pública sobre algo, que ele mesmo sabia se tinha o direito ou não de fazer, mas ainda assim o fez, sela os registros até o ano de 2066, na biblioteca da Universidade de Yale. E olha que interessante coincidência, o "Experimento Milgram" foi realizado por Stanley Milgram, um psicólogo judeu norte-americano. E onde? Na Universidade de Yale. Dois experimentos polêmicos envolvendo judeus, "acobertados", por assim dizer, pela Universidade de Yale, e que poucos de vocês conhecem ou ouviram falar anteriormente. Sinceramente, isso me faz questionar quais outros experimentos foram feitos, como foram feitos, se alguém realmente morreu ou ficou permanentemente abalado devido as suas consequências. Tanto Stanley, quanto Peter e Viola eram consideradas pessoas muito inteligentes e muito esforçadas. E todos os três conduziram experimentos considerados devastadores para muitos dos envolvidos.

Isso demonstra que não importa qual seja o rótulo, que você queria aplicar a pessoa. Não importa se a pessoa é latina, asiática, budista, cristã, judia, soviética, bolchevique ou qualquer outro nome, que você queira inventar. Todos são serem humanos repletos de crenças. São justamente essas crenças, que geram desastres e experimentos cruéis e covardes com pessoas inocentes, com a premissa que isso é para o bem-estar dos envolvidos ou de uma sociedade. Uma utilização desenfreada de um pensamento maquiavélico transfigurado de bondade. Aliás, isso também me faz imaginar se a Dra. Viola Bernard também não participou ou teve influência em experimentos envolvendo outros tipos de crianças, assim como negros, indianos, com deficiência etc. Isso também me faz pensar se não houve qualquer tipo de agressão psicológica apenas para testar um determinado comportamento. Peter e Viola acreditavam cegamente em algo, que tiraram da própria cabeça ou interpretaram a partir de livros empoeirados em uma prateleira. Queriam tornar o mundo melhor, mais inclusivo, e provavelmente destroçaram muito mais vidas do que é mencionado. Pode demorar um, dois, cinco, vinte ou quarenta e oito anos, mas uma hora o embargo vai cair e saberemos o que realmente fizeram com crianças, que só precisavam ser realmente amadas não apenas pelos seus pais, mas pelos seus irmãos. Gostaria de terminar essa matéria com um texto de um antigo comercial do jornal Folha de São Paulo onde dizia: "Este homem pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102%, e a renda per capita dobrar. Aumentou o lucro das empresas de 175 milhões para 5 bilhões, e reduziu uma hiperinflação a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura, e quando jovem imaginava seguir a carreira artística." Este homem era Adolf Hitler. É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.

Até a próxima, AssombradOs.

Criação/Tradução/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://articles.latimes.com/1997/oct/27/health/he-47103
http://darkwing.uoregon.edu/~adoption/people/bernard.htm
http://deadline.com/2018/01/three-identical-strangers-sundance-documentary-deal-neon-1202268529/
http://filmmakermagazine.com/104372-documentary-dp-tim-cragg-on-the-sensational-family-saga-of-three-identical-strangers/
http://people.com/archive/what-happens-when-three-young-men-find-out-theyre-triplets-its-not-as-simple-as-1-2-3-vol-14-no-15/
http://variety.com/2018/film/markets-festivals/sundance-neon-buys-three-identical-strangers-1202675712/
http://www.dailymail.co.uk/news/article-5337323/Triplets-separated-birth-sinister-social-experiment.html
http://www.greensboro.com/separated-triplets-had-been-studied-since-birth/article_7829747b-ea3c-5016-ba0c-7b254d2e45b0.html
http://www.independent.co.uk/life-style/health-and-families/triplets-experiment-separated-birth-nature-nurture-test-robert-shafran-eddy-galland-david-kellman-a8188846.html
http://www.ladbible.com/entertainment/film-and-tv-new-documentary-reveals-stunning-story-of-triplets-separated-at-birth-20180201
http://www.news.com.au/lifestyle/real-life/news-life/these-triplets-were-separated-at-birth-for-a-sick-scientific-experiment/news-story/c84ca3f8a4d0be5a5524e219d679cc4b
http://www.nytimes.com/1998/04/06/nyregion/viola-bernard-91-psychiatrist-who-helped-ease-young-fears.html
http://www.nytimes.com/2008/03/03/nyregion/03neubauer.html
http://www.sigourneyaward.org/peter-neubauer/
http://www.tracking-board.com/three-identical-strangers-review-an-intense-emotional-ride-about-triplets-separated-at-birth/
https://en.wikipedia.org/wiki/Peter_B._Neubauer
https://www.npr.org/2007/10/25/15629096/identical-strangers-explore-nature-vs-nurture
https://www.thesun.co.uk/tvandshowbiz/5474337/three-identical-strangers-robert-shafran-eddy-galland-david-kellman/
https://www.thetimes.co.uk/article/separated-at-birth-for-experiment-triplets-tale-of-suicide-and-survival-three-identical-strangers-pxf8jn9l6
https://www.timesofisrael.com/ny-triplets-sue-jewish-group-for-their-separation-at-birth/
https://www.upi.com/Archives/1980/09/26/Eddy-Galland-Robert-Shafran-and-David-Kellman-said-Friday/6750338788800/
https://www.washingtonpost.com/news/business/wp/2018/01/28/a-sundance-film-about-adoption-hurls-questions-at-a-well-known-charity/?utm_term=.ac11e5b99fa1

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